Teoria dos Jogos e o Dilema do Valor da Vida Humana

Esse é um tema que eu queria abordar faz um tempo e caiu como uma luva para um primeiro post de 2013 então ai vai.

Muitas vezes nos questionamos sobre qual é o valor da vida, principalmente da vida humana. Esse questionamento surge naturalmente uma vez que há tantas dúvidas quanto a origem do universo e tudo o mais e do tão buscado porque da nossa existência. Também quando falamos sobre religião ateísmo, já que de uma certa forma, a religião busca dar uma resposta (satisfatória ou não) para essas perguntas e o ateísmo por outro lado, muitas vezes ignora esse questionamento, porque se baseia no método científico que não responde “porques” mas sim “comos”.

Deixando de lado por um momento a questão religiosa ou espiritual, já que essas áreas envolvem em grande parte conhecimentos provenientes de experiências pessoais, vamos tentar analisar a problemática do valor da vida humana de maneira técnica, de um lugar comum a todos.

A primeira diferença que gosto de ressaltar entre os seres humanos e quaisquer outros seres na natureza é o fato de que nós, a princípio somos as únicas criaturas que tem consciência da própria existência e sendo assim buscamos incessantemente achar um motivo para nossa existência. Talvez imaginar um universo sem seres humanos seja tão difícil quanto imaginar a não existência do universo e tudo nele contido, porque no final das contas, o que acaba sendo realmente difícil é excluir a consciência dessa imaginação já que ela é a própria entidade que imagina. Por isso sentimos aquele nervoso quanto tentamos imaginar “nada”.

Não pretendo entrar no mérito do porque da existência do ser humano nesse post, porém o  ponto que quero tocar é: uma vez que não sabemos o motivo de nossa existência, como podemos atribuir valor a vida?

Argumento da analogia: “Eu sou um ser humano. Não gosto que façam mal a mim e tenho medo de morrer, logo não devo fazer mal a outros seres humanos e não devo matá-los.

Ainda assim, mesmo com a grande maioria dos seres humanos da terra já tendo quase que intuitivamente a lei universal “Não faça com os outros o que você não gostaria que fizessem com você.” na cabeça, temos um mundo violento que não valoriza a vida humana ao ponto de precisarmos definir direitos humanos. No final do dia, o valor que a vida humana tem acaba sendo a média de todos os valores que cada pessoa atribui a vida do próximo e naturalmente percebemos que hoje em dia essa média anda muito baixa.

Se enxergarmos o problema da atribuição de valor a vida como um jogo eu diria que estamos jogando ele mal. Um problema muito antigo estudado pelos estudiosos de Teoria de Jogos é o Dilema do Prisioneiro que na minha opinião ilustra bem a problemática do valor da vida. Segue a explicação abaixo:

Dois suspeitos, A e B, são presos pela polícia. A polícia tem provas insuficientes para os condenar, mas, separando os prisioneiros, oferece a ambos o mesmo acordo: se um dos prisioneiros, confessando, testemunhar contra o outro e esse outro permanecer em silêncio, o que confessou sai livre enquanto o cúmplice silencioso cumpre 6 anos de sentença. Se ambos ficarem em silêncio, a polícia só pode condená-los a 1 ano de cadeia cada um. Se ambos traírem o comparsa, cada um leva 3 anos de cadeia. Cada prisioneiro faz a sua decisão sem saber que decisão o outro vai tomar, e nenhum tem certeza da decisão do outro.

A questão que o dilema propõe é: o que vai acontecer? Como cada prisioneiro vai reagir? Esse dilema consiste no pensamento cíclico que surge de basear a sua jogada na jogada do seu adversário. Supondo dois prisioneiros inteligentes, a jogada natural seria não confessar, pois se ambos o fizessem pegariam 1 ano de prisão cada um. Porém nesse cenário é melhor para cada um confessar e delatar o comparsa, porém, se ambos fizerem isso ambos se dão mal.

Como jogar? Agora imagine esse mesmo dilema, porém com os jogadores sendo todas as pessoas do mundo e com várias rodadas do mesmo dilema e não apenas uma. Quanto mais pessoas desprezam o valor da vida mais elas tem a perder caso outras pessoas também desprezem. E uma pessoa que só despreza só criará mais desprezo das outras em resposta nas rodadas seguintes. Esse dilema jogado várias vezes apresenta um argumento muito forte para se valorizar a vida sem a necessidade de explicações subjetivas. No jogo do valor da vida, a longo prazo, é melhor para todos valorizar a vida mesmo que não tenhamos um motivo externo ao jogo para isso.

Eu provavelmente viajei um pouco, mas enfim, fica ai a reflexão. Se você gostou por favor, não deixe de comentar.

Sobre Guilherme

Sou estudante de Ciência da Commputação e tenho meu foco especialmente voltado para a área de jogos a qual me interesso desde meus primeiros contatos com um computador. Nas horas vagas sou também ativista do Movimento Zeitgeist e do Projeto Venus e filósofo de botequim.
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